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terça-feira, 29 de maio de 2012

A guerra das Picapes

                                              Amarok, Frontier,  S-10 e Hylux

            Chevrolet S10 x Nissan Frontier x Toyota Hilux x VW Amarok


Quem gosta de picapes pode comemorar. De uma hora para outra a oferta se renovou e cresceu. Só a Chevrolet S10, lançada mês passado, chegou com uma dúzia de versões. E a Amarok, que ganhou câmbio automático este mês, agora tem nove configurações diferentes. Vários fatores contribuíram para esses lançamentos. O mercado brasileiro, que há cinco anos era tido como lento no retorno dos investimentos, ganhou relevância. A concorrência aumentou. E as fábricas tiveram de adequar as picapes às normas da nova fase do programa de controle ambiental Proconve. As novidades não ficam por aqui. A Mitsubishi também apresentou mudanças na L200 Triton. E a Ford lança a nova Ranger, no mês que vem.

Aqui, alinhamos as versões topo de linha, equipadas com motor diesel, cabine dupla e tração 4x4, que são as configurações mais vendidas. Além da avaliação na pista e no dia a dia, levantamos o que cada uma oferece em equipamentos, custo de seguro (para um proprietário com perfil conservador) e peças (a cesta básica inclui par de amortecedores, jogo de pastilhas de freio e farol e retrovisor esquerdos). Veja a seguir como cada uma delas se saiu.



4º- Toyota Hilux


Os fãs da Toyota evocarão a liderança do segmento, a satisfação dos proprietários e a qualidade do atendimento pós-venda da marca - que são aspectos importantes. Neste confronto, contudo, a Toyota Hilux foi ultrapassada pelas rivais. Lançada em 2005, ela sente o peso do tempo, apesar das melhorias que recebeu nos últimos anos. É a única das quatro que ainda tem engate mecânico para a tração (4x2, 4x4 e 4x4 reduzida). Chevrolet S10 e Nissan Frontier contam com engates eletrônicos e a VW Amarok tem tração 4x4 permanente. Antigamente, valia o argumento de que o sistema mecânico era robusto, mas hoje a eletrônica já se provou confiável. Também o motor da Hilux é o mais fraco do comparativo, apesar de apresentar o maior deslocamento. O 3.0 da Toyota gera 171 cv de potência e 36,7 mkgf de torque, enquanto o 2.8 da Chevrolet produz 180 cv e 47,9 mkgf, o 2.5 da Nissan entrega 190 cv e 45,8 mkgf e o 2.0 da VW chega a 180 cv e 42,8 mkgf.

A Hilux manteve a majestade no design. Ela passou por uma reestilização este ano que atualizou seu visual, com a substituição de grade dianteira, faróis, lanternas, capô, para-choque e espelhos retrovisores, agora com repetidores. Por dentro, as mudanças estéticas se concentraram no grafismo dos instrumentos e em detalhes prateados em console, volante e alavanca do câmbio. Mas a versão top SRV se destaca pelo aumento de itens no pacote de equipamentos de série, que inclui ar-condicionado automático e digital, central multimídia, Bluetooth, câmera de ré e de GPS e bancos elétricos, entre outros. A única concorrente que consegue encarar a Hilux com esse conteúdo é a Amarok, que é a mais completa do comparativo - ainda assim, tem sensor de estacionamento no lugar da camera de ré e oferece GPS só como opcional. Mas esse pacote de equipamentos da Hilux não sai de graça. Pelo contrário. Com preço sugerido de 141 920 reais, a Hilux SRV é a mais cara do confronto.


DIREÇÃO, FREIO E SUSPENSÃO
Como as rivais, ela também privilegia o conforto. Mas sofre ao passar por irregularidades. Foi a melhor nas frenagens.
★★★★

MOTOR E CÂMBIO
Com rendimento menor, Hilux ficou para trás na pista de testes.
★★★

CARROCERIA
Apesar da idade, o visual permanece atual. Seu acabamento é de qualidade superior.
★★★★

VIDA A BORDO
Bem equipada, a Toyota trata bem seus ocupantes, mas atrás poderia melhorar.
★★★★

SEGURANÇA
Tem ESP e duplo airbag.
★★★★

SEU BOLSO
É a mais cara do comparativo
★★★


3º- Nissan Frontier

A Nissan Frontier é a picape mais barata do comparativo. Com preço de 128 990 reais, ela custa 12 930 a menos que a Hilux. Como não existe almoço grátis, a Frontier LE Attack dispensa alguns luxos como GPS e camera de ré, presentes na rival Hilux, e também equipamentos importantes, como ESP (que não está disponível nem como opcional), e úteis, como computador de bordo. Ela traz o essencial: duplo airbag, ABS, piloto automático, ar condicionado e som.

A antena de recepção do rádio denuncia a idade do projeto (a Frontier foi lançada no Brasil, em 2007). Em forma de haste e instalada no para-lama dianteiro, ela se torna fonte de ruídos, quando a picape vai além de 100 km/h, ou quando, devagar, a haste bate no teto ou no portão da garagem. As antenas da S10 e da Hilux são pequenas e ficam no teto, e a da Amarok vai embutida no retrovisor externo. A Frontier se destaca quando o assunto é desempenho. Seu motor é o mais potente e isso ficou evidente na pista, onde a picape cravou o melhor tempo nos testes de aceleração, fazendo de 0 a 100 km/h em 11 segundos, e se revelou a mais econômica. A Frontier conseguiu as médias de 10,5 km/l no ciclo urbano e 12,5 km/l no rodoviário, enquanto a Hilux terminou com as médias de 9,5 km/l e 11,2 km/l, respectivamente.

Ainda na comparação com as rivais, a Frontier também oferece bom espaço interno, embora quem viaje atrás fique com os joelhos em posição mais alta que os quadris e as costas em posição menos reclinada que nas outras picapes. Sua direção também é leve e não exige esforço. Mas a suspensão, apesar de oscilar menos que a da S10, o que é bom para a dirigibilidade, é menos eficiente para filtrar as irregularidades do piso. Seu tanque de combustível, de 80 litros, é o maior do comparativo e o revestimento dos bancos da Frontier é o único que mistura couro sintético com couro natural. Pelo resumo da obra, ela fica com o terceiro posto.


DIREÇÃO, FREIO E SUSPENSÃO

A direção é leve e a suspensão, confortável e não pula muito. Poderia frear melhor.
★★★

MOTOR E CÂMBIO
Foi o melhor rendimento na pista de testes.
★★★★

CARROCERIA
Acabamento de boa qualidade, sem parecer luxuoso. Estilo meio cansado.
★★★

VIDA A BORDO
Gostosa de dirigir, motor silencioso... Atrás, entretanto, falta espaço para as pernas.
★★★★

SEGURANÇA
Tem o essencial: ABS, EBD e duplo airbag.
★★★★

SEU BOLSO
Custa menos e tem peças mais baratas que a média.
★★★★


2º- Chevrolet S10

O que mais chamou atenção na Chevrolet S10, neste comparativo, foi o design. Alinhada com as concorrentes, mais sóbrias e conservadoras, a S10 se destacou com a grade dianteira ampla, os faróis delicados para uma picape, a linha ascendente na base dos vidros e os cromados, ao redor da grade, dos faróis de neblina e nos retrovisores. Internamente, seu painel se assemelha ao de um automóvel e há detalhes interessantes, como os mostradores redondos com molduras quadradas - inspirados no cupê esportivo Camaro - e os frisos em forma de colchete, nos raios do volante, que ecoam as formas das saídas de ar, no alto do console. A central de commandos redonda do ar-condicionado definitivamente não conversa com o sistema de som retangular. Mas até essa quebra de harmonia atrai o olhar de quem entra na cabine, assim como o contraste entre a simplicidade do acabamento plástico e a sofisticada aparência dos bancos de couro (sintético), da iluminação azul dos instrumentos e da manopla de câmbio cromada.

Nos demais aspectos analisados, a S10 se revelou apenas discreta. No que diz respeito aos equipamentos, a Chevrolet não fez sombra à Toyota. E, em relação ao desempenho, ficou atrás da Nissan.

Não foi só pelo visual, no entanto, que a S10 conquistou o segundo lugar neste confronto. Seu mérito surgiu no equilíbrio de seu conjunto, com saldo favorável entre prós e contras. Entre os aspectos positivos, a S10 reúne câmbio automático sequencial de seis marchas com opção de trocas no modo manual (recurso que só a Amarok compartilha), menor diâmetro de giro (o que revela que ela é mais fácil de manobrar) e presença de equipamentos importantes como o ESP e o cinto de segurança de três pontos na posição central traseira (que nenhuma das outras tem). Ao volante, a S10 privilegia o conforto. Sua direção é leve e a suspensão, macia até demais. Das quatro picapes avaliadas aqui, a S10 é a que mais pula e inclina nas curvas.

DIREÇÃO, FREIO E SUSPENSÃO
A direção é leve, mas precisa. A suspensão deixa a picape inclinar e pular. Freios tiveram desempenho regular.
★★★

MOTOR E CÂMBIO
O motor tem bastante torque e o câmbio sequencial de seis marchas tem modo de troca manual.
★★★★

CARROCERIA

Tem estilo moderno e construção de boa qualidade.
★★★★

VIDA A BORDO

Bom espaço interno e acabamento com materiais de qualidade intermediária.
★★★★

SEGURANÇA
A versão LTZ tem ABS, duplo airbag e ESP.
★★★★

SEU BOLSO
Peças, seguro e garantia na média da categoria.
★★★


1º- Volkswagen Amarok

Ao lançar a Amarok, em 2010, sem a opção do câmbio automático, a VW ficou fora de uma importante fatia do mercado. O deslize está sendo reparado agora, com ares de quem quer recuperar o tempo perdido. A Amarok chega com um câmbio automático cheio de recursos. A caixa tem oito marchas, que o motorista pode usar nos modos automáticos Drive ou Sport (que realiza trocas em regimes mais elevados) ou optar pelas mudanças manuais. A primeira é uma marcha reduzida e as duas últimas são do tipo overdrive, para economizar combustível em velocidades de cruzeiro. Como a transmissão é integral e permanente, não é necessário escolher o tipo de tração (4x2, 4x4 e 4x4 reduzida). Se precisar de força para vencer um obstáculo, é só fixar a primeira marcha e acelerar. Nas outras situações, basta deixar a picape trabalhar. A Amarok possui um diferencial central que se encarrega de distribuir a força entre os eixos, de acordo com a necessidade. No uso normal, a divisão é na razão de 40% para a frente e 60% para trás. Mas pode chegar a apenas 80% em um dos eixos, dependendo das condições de aderência. Ainda assim, o sistema conta com a possibilidade de bloqueio do diferencial traseiro, o que ajudaria a picape a sair de um atoleiro, por exemplo.

O sistema de freios tem ABS com EBD e BAS, sistema de controle de filme de água nos discos RBS e modo de operação Off-Road, específico para pisos sem pavimentação. Nas descidas, o sistema HDC (Hill Descent Control) mantém a picape em velocidade sob controle. Nas arrancadas, nas subidas, o HSA (Hill Start Assist) segura a picape por até 3 segundos, para dar tempo ao motorista de acelerar sem que o veículo se movimente. A bordo também não faltam itens que tornam a vida de todos melhor. A Amarok é a única com ar-condicionado dualzone, volante com ajuste de altura e profundidade e tomada 12 V na caçamba. Sua suspensão oscila tanto quanto a da S10, mas são vibrações mais breves.

DIREÇÃO, FREIO E SUSPENSÃO

Direção direta e suspensão mais firme que a das rivais, mas confortável. Freou bem.
★★★★

MOTOR E CÂMBIO
O rendimento do conjunto ficou na média da categoria. A transmissão, por sua vez, é show.
★★★★★

CARROCERIA
Com design atual e construção sólida, apesar do excesso de plástico no painel.
★★★★

VIDA A BORDO

Seu motor é o mais silencioso, o banco traseiro é confortável. Há boa oferta de equipamentos.
★★★★★

SEGURANÇA
ESP é opcional, mas a Amarok tem diversos recursos exclusivos.
★★★★★

SEU BOLSO
Nos primeiros quarto meses de lançamento, o Banco VW oferece seguro por 4 000 reais, 3% do preço da picape.
★★★★


Fonte: Revista Quatro Rodas

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